O que a pandemia me ensinou sobre dívidas – e por que decidi viver sem elas

Por David Tellescontato@davidtelles.com.br

Sempre gostei de investir, me interessei muito novo pelo mercado de capitais e aprecio garimpar boas opções de investimentos, estudando por fontes seguras e acompanhando o mercado com risco calculado. A ganância é a inimiga número 1 do investidor.

Li muito sobre cisne negro, explicado por Nassim Taleb. Resumidamente, em uma conversa de boteco, trata-se do impacto do altamente improvável: depois do ocorrido, as pessoas procuram fazer com que ele pareça mais previsível do que ele realmente era. A pandemia é um cisne negro? Talvez.

No final de 2019, as notícias acerca da pandemia já corriam na mídia. O que as pessoas fizeram? Algumas se precaveram, mas muitas ignoraram, e o carnaval de 2020 até ocorreu normalmente. Ou seja, tratando sob a lógica da imprevisibilidade e do impacto mundial, podemos afirmar que sim, a pandemia é um cisne negro. Ignoramos o impacto negativo da doença e estamos onde estamos.

Ao longo de 2020, refleti sobre vários aspectos da minha vida: a saúde sempre estará em primeiro lugar, a família e os seus amigos são mais importantes do que você acha e a saúde financeira deve ser priorizada.

Mudei várias atitudes e não pude deixar de esquecer o aspecto financeiro: alguns hábitos me incomodavam, apesar de ter a noção de que eles não eram saudáveis, principalmente em um momento turbulento como a pandemia. 

Um hábito chato era concentrar em demasia as compras em cartões para ganhar milhas. E o que adiantou as milhas nesse momento? Viajar? Meu consolo foi que reformei minha cozinha com esses pontos. Nada mais.

Resolvi usar um cartão com um fator de pontuação elevado que tivesse duas características: ganhar os pontos e antecipar o pagamento da fatura. Ou seja: utilizo crédito como débito. Só gasto o que tenho e já pago antecipado. A meta todo mês é receber a fatura zerada. Estou conseguindo! A sensação de receber sua fatura zerada é ótima! 

Cancelei TV a cabo e telefone fixo. Afinal, estamos vivendo no mundo do streaming. Supermercados agora só em aplicativos com cupons de desconto. Ano passado, economizei pouco mais de R$ 1.000,00 só com cupons. Tem gente que acha “mixaria”… Eu não acho: mil reais na conta em tempos críticos é importante.

Não tenho empréstimos (nunca gostei), não devo nada a ninguém e não pago tarifas de banco. Pedi downgrade em todas as contas (tem gente que acha importante o status) e estou migrando para as corretoras. 

Não financio carro – particularmente, acho um erro financiar um ativo que desvaloriza como um veículo – e a minha única dívida atualmente é um imóvel financiado, que resolvi comprar apesar de ser resistente a esse tipo de crédito, pelo único motivo de deixar segurança para minha esposa e para minha filha. Sim, o imóvel pode ser considerado um “seguro”. 

Resultado disso: apesar de ter sido na maior parte da minha vida uma pessoa econômica, sem luxos considerados esdrúxulos ou com patrimônio líquido negativo, agora posso me considerar financeiramente saudável. 

Viver sem dívidas ajuda a cuidar do que realmente importa: a saúde e a família.

David Ximenes Avila Siqueira Telles

Advogado, Consultor Financeiro e Professor

1 comentário em “O que a pandemia me ensinou sobre dívidas – e por que decidi viver sem elas

  1. Derick Carvalho

    Texto acessível e direto ao ponto como deve ser! Parabéns Davi e obrigado por compartilhar conosco sua experiência!

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